terça-feira, 28 de dezembro de 2010

ENTREVISTA











Algo maravilhoso me encantou hoje à tarde.
“O sonho não pode ser também aplicado à solução das questões fundamentais da vida?” (fragmento do Manifesto do Surrealismo de André Breton, francês que lançou o movimento).
Fui conferir a exposição “O tédio, o vazio, o medo e a solidão”, de pinturas que acontece até dia 31 de dezembro no Fórum da Cultura. De segunda a sexta, das 14h às 20h30. A entrada é franca e fica na Rua Santo Antônio 1112 em Juiz de Fora MG.
São 10 obras de óleo sobre tela que retratam não só o inconsciente mas também as vivências da artista plástica Dayana Souza e nos levam a refletir sobre como a arte está em tudo o tempo todo. Fatos de sua história como violência sofrida em assalto, sonhos e até a morte na família, refletem-se no trabalho que ela nos apresenta.
A sensação que dá ao visitar sua exposição é de ser possível extrair a beleza até do lado difícil e sombrio da vida. Seu trabalho é belíssimo e oferece um momento de reflexão para quem se dispõem a visitar a galeria. Um verdadeiro presente para a alma.
Em meio a várias entrevistas para emissoras locais, Dayana respondeu às perguntas para “Meu mundinho fechado” permitindo-nos aprender e conhecer mais sobre este universo inspirador das artes plásticas.
  • Qual sua definição sobre arte?
Arte para mim é o pensar, é o sentir. Não é só exatamente um quadro, uma pintura, mas arte é buscar inspiração do que está preso. É o botar para fora o que sente e pensa através do desenho, da pintura ou da música.
  • Quando você começou a pintar?
Eu pinto desde os meus 19 anos de idade. Comprei uma pequena tela e três pincéis e algumas tintas e arrisquei a pintar. E deu certo. A tela era para presente, mas acabei ficando com ela.
  • Qual a sua formação acadêmica e sua inspiração?
Sou formada em Artes pela UFJF, licenciada e bacharel em Artes Visuais. A minha inspiração é baseada nos seguintes movimentos: Realismo, Fotorrealismo, Hiperrealismo, Surrealismo, Pop Arte, Minimalismo.
  • Alguém apóia ou investe no seu talento? E em que ponto isso é significativo na hora de criar as obras?
Além da minha família, o meu namorado Rogério apóia e investe no meu talento. O apoio da família é muito importante, pois isso ajuda o indivíduo a seguir a carreira em frente embora a arte esteja escassa aqui em Juiz de Fora (não é tão valorizada) e a dar continuidade ao trabalho. Além do talento, o indivíduo buscando apoio e incentivo da família é essencial para o seu crescimento.
  • Essa é a sua primeira exposição. Como surgiu o convite para expor seu trabalho?
O convite surgiu no final do ano passado (2009) quando o Fórum da Cultura lançou o edital para expor obras na Galeria de Arte. A pessoa tinha que criar um tema, a sinopse e enviar as imagens de trabalhos já executados. Eles fizeram a seleção e o resultado saiu mais ou menos em janeiro de 2010 com a lista já pré-definida dos artistas selecionados e com o mês da exposição.
  • Como você vê a sua arte?
Eu vejo a minha arte como um meio de me encontrar. Além de botar para fora o que sinto e o que penso através da pintura, do desenho e da música.
  • Você segue o estilo surrealista, que procura expressar o inconsciente dos artistas driblando o pensamento racional. Você quis passar alguma mensagem além da própria emoção condizente com o tema das telas de “O tédio, o vazio, o medo e a solidão”?
Sim. Além do meu trabalho ser autobiográfico, a mensagem que transmito é a seguinte: além de fazer com que meus quadros choquem o público, a intenção é fazer com que o público interprete, reflita, questione e se baseie em cada um deles. Sua vivência, experiências, enfim.
  • Atualmente você trabalha com artes plásticas?
Sim. Trabalho num estúdio de tatuagem no Julliano Art Tattoo, como recepcionista e desenhista de séries de tatuagem. Pretendo futuramente tatuar com a ajuda do tatuador Julliano e também trabalho como desenhista (desenhos realistas de rostos) e caricaturista (para convites de casamentos e de formaturas).
  • Quais seus pintores preferidos?
Além do pintor espanhol Salvador Dali, gosto muito do Andy Warhol, Max Ernst, Robert Longo, Magritte, Leonardo da Vinci, Michelângelo, Basquiat, entre outros.
  • Como você vê a divulgação das artes plásticas no Brasil e no exterior? O que precisa melhorar?
Pelo menos no Brasil as artes plásticas são escassas e desvalorizadas. Poucas pessoas valorizam a arte. Não só as plásticas, mas a arte em si. Já no exterior é o contrário. Alguns países como França, Itália, Estados Unidos a arte, principalmente a plástica é valorizada. As pessoas visitam as galerias de arte e apreciam a arte como um todo.
  • Você tem alguma sugestão para levar a arte ao cotidiano das pessoas?
Não só a pintura e o desenho é mostrar a arte como um todo para as pessoas, mesmo que elas não tenham domínio para pintar ou desenhar, é mostrar a essas pessoas que a arte está presente em todos os lugares. A arte engloba tudo: na fotografia, na música, no cinema, na dança, na poesia, enfim, em tudo.
  • Deixe uma mensagem para as pessoas sobre o que elas podem encontrar ao entrar em contato com as artes, em especial, a pintura?
A mensagem é que ao entrar em contato com a arte as pessoas sintam a arte
ao visualizar uma pintura, que elas reflitam, interpretam e pensem que o artista não executou a obra por acaso, mas sim que aquela obra teve um propósito. O público tem a liberdade de pensar e interpretar a arte, se ja qual for.

Mais informações com a artista plástica Dayana Souza.