Algo maravilhoso me encantou hoje à tarde.
“O sonho não pode ser também aplicado à solução das questões fundamentais da vida?” (fragmento do Manifesto do Surrealismo de André Breton, francês que lançou o movimento).
Fui conferir a exposição “O tédio, o vazio, o medo e a solidão”, de pinturas que acontece até dia 31 de dezembro no Fórum da Cultura. De segunda a sexta, das 14h às 20h30. A entrada é franca e fica na Rua Santo Antônio 1112 em Juiz de Fora MG.
São 10 obras de óleo sobre tela que retratam não só o inconsciente mas também as vivências da artista plástica Dayana Souza e nos levam a refletir sobre como a arte está em tudo o tempo todo. Fatos de sua história como violência sofrida em assalto, sonhos e até a morte na família, refletem-se no trabalho que ela nos apresenta.
A sensação que dá ao visitar sua exposição é de ser possível extrair a beleza até do lado difícil e sombrio da vida. Seu trabalho é belíssimo e oferece um momento de reflexão para quem se dispõem a visitar a galeria. Um verdadeiro presente para a alma.
Em meio a várias entrevistas para emissoras locais, Dayana respondeu às perguntas para “Meu mundinho fechado” permitindo-nos aprender e conhecer mais sobre este universo inspirador das artes plásticas.
- Qual sua definição sobre arte?
Arte para mim é o pensar, é o sentir. Não é só exatamente um quadro, uma pintura, mas arte é buscar inspiração do que está preso. É o botar para fora o que sente e pensa através do desenho, da pintura ou da música.
- Quando você começou a pintar?
Eu pinto desde os meu
s 19 anos de idade. Comprei uma pequena tela e três pincéis e algumas tintas e arrisquei a pintar. E deu certo. A tela era para presente, mas acabei ficando com ela.
- Qual a sua formação acadêmica e sua inspiração?
Sou
formada em Artes pela UFJF, licenciada e bacharel em Artes Visuais. A minha inspiração é baseada nos seguintes movimentos: Realismo, Fotorrealismo, Hiperrealismo, Surrealismo, Pop Arte, Minimalismo.
- Alguém apóia ou investe no seu talento? E em que ponto
isso é significativo na hora de criar as obras?
Além da minha família, o meu namorado Rogério apóia e investe no meu talento. O apoio da família é muito importante, pois isso ajuda o indivíduo a seguir a carreira em frente embora a arte esteja escassa aqui em Juiz de Fora (não é tão valorizada) e a dar continuidade ao trabalho. Além do talento, o indivíduo buscando apoio e incentivo da família é essencial para o seu crescimento.
- Essa é a sua primeira exposição. Como surgiu o convite para expor seu trabalho?
O convite surgiu no final do ano passado (2009) quando o Fórum da Cultura lançou o edital para expor obras na Galeria de Arte. A pessoa tinha que criar um tema, a sinopse e enviar as imagens de trabalhos já executados. Eles fizeram a seleção e o resultado saiu mais ou menos em janeiro de 2010 com a lista já pré-definida dos artistas selecionados e com o mês da exposição.
- Como você vê a sua arte?
Eu vejo a minha arte como um meio
de me encontrar. Além de botar para fora o que sinto e o que penso através da pintura, do desenho e da música.
- Você segue o estilo surrealista, que procura expressar o inconsciente dos artistas driblando o pensamento racional. Você quis passar alguma mensagem além da própria emoção condizente com o tema das telas de “O tédio, o vazio, o medo e a solidão”?
Sim. Além do meu trabalho ser autobiográfico, a mensagem que transmito é a seguinte: além de fazer com que meus quadros choquem o público, a intenção é fazer com que o público interprete, reflita, questione e se baseie em cada um deles. Sua vivência, experiências, enfim.
Sim. Trabalho num estúdio de tatuagem no Julliano Art Tattoo, como recepcionista e desenhista de séries de tatuagem. Pretendo futuramente tatuar com a ajuda do tatuador Julliano e também trabalho como desenhista (desenhos realistas de rostos) e caricaturista (para convites de casamentos e de formaturas).
- Quais seus pintores preferidos?
Além do pintor espanhol Salvador Dali, gosto muito do Andy Warhol, Max Ernst, Robert Longo, Magritte, Leonardo da Vinci, Michelângelo, Basquiat, entre outros.
Pelo menos no Brasil as artes plásticas são escassas e desvalorizadas. Poucas pessoas valorizam a arte. Não só as plásticas, mas a arte em si. Já no exterior é o contrário. Alguns países como França, Itália, Estados Unidos a arte, principalmente a plástica é valorizada. As pessoas visitam as galerias de arte e apreciam a arte como um todo.
- Você tem alguma sugestão para levar a arte ao cotidiano das pessoas?
Não só a pintura e o desenho é mostrar a arte como um todo para as pessoas, mesmo que elas não tenham domínio para pintar ou desenhar, é mostrar a essas pessoas que a arte está presente em todos os lugares. A arte engloba tudo: na fotografia, na música, no cinema, na dança, na poesia, enfim, em tudo.
- Deixe uma mensagem para as pessoas sobre o que elas podem encontrar ao entrar em contato com as artes, em especial, a pintura?
A mensagem é que ao entrar em contato com a arte as pessoas sintam a arte
ao visualizar uma pintura, que elas reflitam, interpretam e pensem que o artista não executou a obra por acaso, mas sim que aquela obra teve um propósito. O público tem a liberdade de pensar e interpretar a arte, se ja qual for.
Mais informações com a artista plástica Dayana Souza.