quinta-feira, 30 de abril de 2015

OPINIÃO

A violência psicológica intrafamiliar praticada por mulheres

Quem é a sogra má? Porque ela é violenta?

A verdadeira questão é: porque as próprias mulheres perpetuam os discursos que as prejudicam?

Vemos uma irmã diminuindo a outra, a sogra tratando mal a nora, a colega de trabalho critica "como homem" e  a "amiga" fala da roupa da outra e ainda a deprecia.

Sabe aquela mulher que te hostiliza e vê defeitos em tudo que você é e faz?

Aquela mulher que te trata com deboches e preconceitos?

Aquela pessoa que te considera inadequada para o filho dela por não estar no padrão de cobrança que ela sustenta?

Essa mulher má é aquela que foi padronizada, cobrada e que hoje se mantém num casamento por não ser independente. Não que ela não queira sair de sua péssima condição. Mas na época dela o casamento era para sempre.

Minha avó nem o marido escolhia, era a família quem o fazia. A mulher tinha que ter muitos filhos e não podia se divorciar ela era treinada e preparada para ser boa esposa e boa mãe e não tinha valor enquanto pessoa. Era referenciada como esposa ou mãe de alguém.

Já minha mãe podia escolher o parceiro mas tinha tempo-limite para casar, tinha que ser bonita pois com melhor aparência ela tinha mais opções e, se ainda fosse prendada, era considerada perfeita para o casamento. A escolha do homem não era por afinidade e nem por amor. Ele tinha que ser um bom partido. Quem "passava da idade" para casar ficava para "titia". Quanta violência... Daí ela era vista com desconfiança: E tratada com frases pejorativas, como por exemplo: "Xiii se não casou ainda não deve ser boa pessoa. Nenhum homem quis ela, coitada!" A identidade e o valor da mulher estavam associados à "capacidade" de atrair e de se relacionar com um homem.

Quem foi cobrada dessa forma, tendo valor apenas se tivesse um homem, não valoriza a si mesma e nem compreende que as mulheres de hoje podem escolher seus parceiros, a profissão, a hora de casar, de transar e são valorizadas por si mesmas. Não são preparadas para o casamento, mas sim para a vida.

Nós temos a sorte de poder viver aquilo que elas não puderam. Podemos casar por amor, dividir as contas e as tarefas domésticas. Não precisamos saber cozinhar ou ser boas costureiras para dar amor a quem amamos. Dividir a vida com alguém não é mais sinônimo de ser empregada doméstica sem salário.

As mulheres de gerações anteriores são violentas a ponto de violentarem a si mesmas mantendo casamentos de fachada, que usam como desculpa para cuidar dos filhos, mas que na verdade, é para garantir o sustento. Quão deprimente é isso para a condição humana. Afinal, se o casamento era para sempre e o homem era o provedor, como agora encarar o mercado de trabalho? Sim, é cruel! Mas ainda pior e se sujeitar a isso e não reconhecer o seu potencial e valor como pessoa.

Não é contra uma mulher a violência, é contra a quebra de uma ideologia tipicamente machista e capitalista que tem como principais agressoras as próprias violentadas. Quem sofreu a violência primeiro, a reproduz com a geração seguinte questionando a liberdade conquistada.

As feministas são o oposto disso. Mas não acredito em 8 ou 80. Não adianta ser submissa e empregada nem tão pouco uma classe reclamando direitos. Elas reclamam a liberdade que não tiveram e buscam direitos que melhoram a nossa vida. Mas também exageram por chegarem a cometer a mesma violência com os homens.

Já as mulheres antigas, nos atacam pois representamos o que elas queriam e não puderam fazer. Nós podemos lutar pelos direitos, namorar homens mais novos, não ter filhos, trabalhar, votar, casar mais tarde ou nem casar. Entenda que elas não puderam pois ficariam marcadas e estigmatizadas. Infelizmente elas estão presas na ideologia e nas relações machistas, algumas apanhando, várias se sujeitando a humilhações por não ter onde morar ou como se sustentar.

Quanta autoestima destruída. Lutemos pelas mulheres! Se tem alguém que pode mudar esse conceito somos nós as mulheres livres de agora. E você pergunta, como?

Ao colocar limite no preconceito delas (nas senhoras que reproduzem o preconceito de suas épocas);

ao colocar a elas seus direitos (ajudando-as inclusive a se libertarem e viverem melhor);

ao promover as políticas públicas que nos protegem (sabemos pouco do que podemos e de nossos direitos);

ao questionar e levar à reflexão todas as gerações mostrando o benefício de ser livre. E, com isso, trazer as soluções para o dia-a-dia.

Precisamos descobrir como acabar com essas ideias que limitam a felicidade e a vida das mulheres e que elas mesmas propagam dentro de seus lares e nas relações intrafamiliares, domésticas e de trabalho. Falta discussão, respeito, questionamento e garantia dos direitos.

As ideias ultrapassadas geraram infelicidade e menos possibilidade de vida, mas que isso não nos tire a capacidade de sermos mulheres cada vez mais livres e femininas que podem viver e aproveitar o que há de melhor na vida agora.

Podemos ser femininas, ter nossos direitos garantidos e continuar convivendo com os homens em relações de boas trocas e respeito mútuo.

Mas caso isso não aconteça de modo natural podemos fazer valer nossos direitos. Afinal, somos livres!