quinta-feira, 28 de novembro de 2013

OPINIÃO

 Bullying - vilão ou aliado?

A vida escolar começa cada vez mais cedo e as famílias são, na escola, representadas.
Uma família participativa e ligada aos filhos será sempre o sonho dos professores e o melhor caminho para o desenvolvimento do filho em fase escolar.
Como 'nem tudo são flores' e a evolução se dá em grau diferente em cada lar, na escola as diferenças aparecem. São visões de vida, hábitos, nível econômico, experiências várias convivendo num mesmo espaço e sendo moldadas pelo sistema de ensino.
E é evidente que os aspectos negativos da sociedade também aparecem pois estão ali dentro de cada um e advindos de cada família com sua respectiva visão de mundo: as crianças trazem preconceitos, inibições, egoísmos, arrogâncias, favoritismos...
Talvez seja por isso tão fundamental a educação para abrir mentes, mudar conceitos, transformar visões, gerar discussão e mudanças nos lares.
Quando o aluno retorna a seu lar ele leva o que assimilou e o que trocou com os colegas já que a escola é local de troca, a meu ver.
Penso então que o bullyng seja um reflexo das ideias negativas da sociedade naquilo que ela tem de pior e de mais mesquinho que é alguém ou um grupo se achar melhor do que os outros a ponto de debochar de quem é considerado 'pior' sendo este escolhido por ser quieto por aqueles indivíduos que não tem o bom caráter desenvolvido e agem com violência.
E não há melhor lugar para transformar a mesquinhez e a mediocridade das relações sociais do que a escola. Se os profissionais forem preparados e os materiais didáticos contemplarem isso (ao invés ignorar o fato) o assunto pode ser aproveitado no momento e local em que acontece para fazer pensar e buscar soluções para a falta de respeito às diferenças.
Com isso, a educação cumpre sua função, chega nas casas das pessoas e oxalá no trânsito, já que os adultos e pais estão lá refletindo os mesmos aspectos vistos em seus filhos, só que nas ruas e estradas.
E se isso for trabalhado com as famílias melhor será: afinal é um ciclo. Pais responsáveis, participativos e atuantes na vida familiar geram filhos integrados com melhor caráter e maior troca respeitosa com os colegas; e no futuro teremos, adultos, trânsito e sociedade melhores.
Nos dias de hoje com tantos crimes, assaltos, assassinatos violentos onde as pessoas matam e cometem violência por motivos fúteis, a escola talvez tenha a maior oportunidade e um grande desafio.
Mas cabe a nós considerar o bullying um aliado e aproveitar o período escolar como o momento ideal para melhorar a situação assumindo nossa responsabilidade social para cultivar a esperança de ver adultos melhores. Educar é trabalho de toda uma vida. Mas vale a pena.
Não deixemos a violência continuar, aproveitemos o instante em que ela acontecer para mudar tudo.
Como? Cada vez que ocorrer um ato violento com alguma criança que se faça seminários, estudos e utilizem as ideias dos próprios alunos para combater isso e que se criem formas criativas de denúncia e punição em cada instituição para quem cometer este ato desumano sempre valorizando a amizade e o convívio harmônico nos ambientes coletivos.
Pois se por um lado têm coisas ruins, por outro, a fase escolar também é responsável pelas melhores lembranças de amizade de um indivíduo.
Isso deve ser aproveitado a favor da sociedade.
Assim sai o medo e entra outra forma de pensar e de se relacionar.


quinta-feira, 17 de outubro de 2013

ENTREVISTA

Terra - Planeta Água

Estava ouvindo Guilherme Arantes Terra, planeta água, Terra, planeta água e me deu curiosidade, uma série de questões passaram em minha mente. Ela é fundamental para nossa sobrevivência e, ainda assim, falamos sobre isso somente em datas comemorativas ou políticas e na escola. 
Resolvi pesquisar um pouco e trazer um panorama atual da água.
Descobri que “O Dia Mundial da Água foi criado pela ONU (Organização das Nações Unidas) no dia 22 de março de 1992”. Dia dedicado à discussão sobre os diversos temas relacionados a este importante bem natural, todo ano, desde então.
Na mesma data a ONU também divulgou um importante documento: a “Declaração Universal dos Direitos da Água”. Este texto apresenta uma série de medidas, sugestões e informações que servem para despertar a consciência ecológica da população e dos governantes para a questão da água.
Reflita sobre este artigo:
Art. 4º - O equilíbrio e o futuro do nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende, em particular, da preservação dos mares e oceanos, por onde os ciclos começam.”
Disso concluo que somos privilegiados pois podemos usar este bem natural mas somos responsáveis por sua conservação e cuidado.
Além disso, a Unesco estabeleceu que 2013 é o Ano Internacional de Cooperação pela Água.
Diante de toda essa importância mundial, pensei na situação aqui em Minas Gerais e procurei um profissional para saber. A entrevista segue abaixo:
Leonardo Joviano Peroni é geógrafo, formado pela Universidade Federal de Juiz de Fora, trabalha na cidade administrativa de BH como Analista Ambiental do Instituto Mineiro de Gestão das Águas - IGAM, órgão vinculado a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável - SEMAD. Lá ele desenvolve estudos técnicos referentes a cobrança pelo uso de recursos hídricos e atende usuários e empresas.
Qual a situação atual dos recursos hídricos de Minas Gerais?
Leonardo Peroni é o primeiro, da direita para a esquerda
R: Com a política estadual de recursos hídricos (Lei nº 13199/99) foram implementadas 36 UPGRH's (Unidades de Planejamento e Gestão de Recursos Hídricos) bem como seus planos diretores de recursos hídricos. Em 2010 a cobrança pelo uso da água foi iniciada em três bacias hidrográficas, Rio das Velhas, Rio Araguari e bacia dos rios Piracicaba e Jaguari.
Com a implementação dos instrumentos de gestão e as parcerias do Estado de Minas Gerais com a iniciativa privada, foram alcançadas metas de despoluição que chegam a 68% dos cursos d'água, mas ainda tem muito o que ser feito.
Como acontece a distribuição da licença para a CESAMA administrar os recursos?
R: A CESAMA (Companhia de Saneamento Municipal de Juiz de Fora) é um usuário outorgado pela Agência Nacional de Águas (ANA) e pelo IGAM (Instituto Mineiro de Gestão das Águas). A captação é superficial, ou seja, diretamente no rio por meio de um barramento com acumulação superior a 5000 m³ (5 milhões de litros). O que a concessionária cobra do usuário é o tratamento da água que chega à sua residência.
Como é feita a fiscalização do trabalho da CESAMA?
R: A CESAMA é fiscalizada, através de vistorias periódicas, pelos técnicos do IGAM.
Como os usuários/consumidores mineiros são representados nas decisões referentes à defesa de nossas Bacias Hidrográficas?
R: Os usuários e as comunidades são representados pelos Comitês de Bacias Hidrográficas, órgãos colegiados, com funções deliberativas e normativas, com abrangência na bacia hidrográfica da qual fazem parte. Juiz de Fora é representada pelo Comitê de Bacia Hidrográfica PS1 (Paraíba do Sul 1).
O que justifica o custo do serviço para o consumidor em relação à água?
R: A empresa apenas cobra o usuário pelo tratamento da água, e esta também é um usuário de água perante o Estado.
Quais serão os próximos rumos de debate e ação para os recursos hídricos de Minas Gerais?
R: Será a consolidação da gestão de recursos hídricos e a implementação de seus instrumentos de gestão (Planos Diretores de Recursos Hídricos, enquadramento de cursos d'água, outorgas emitidas, cobrança pelo uso da água, sistema de informação sobre recursos hídricos e fiscalização), no Estado de Minas Gerais.
Para quem quer saber mais, tirar dúvidas ou pesquisar sobre recursos hídricos o que você indica?
R: Sites de interesse: www.igam.mg.gov.br e www.ana.gov.br
O que tem sido feito para reduzir a poluição hídrica? Existe uma política ambiental de conscientização e/ou punição para quem elimina dejetos em rios, por exemplo?
R: Além da mobilização de comitês de bacia e de comunidades, e ações de fiscalização ambiental, temos a lei nº 6938/81 (Política Nacional de Meio Ambiente).
Qual o panorama de nossa realidade quanto ao cuidado com nossas águas?
R: Se cuidarmos e conservarmos o que temos hoje, nossas matas e nossos rios, poderemos nos considerar o povo mais rico do mundo por muitas gerações.
Muito bom saber que existem leis de proteção para as águas e também para o Meio Ambiente. Mas a responsabilidade pela preservação dos recursos é de todos, deve ser diária e calcada em bons hábitos de utilização e preservação. 


Para saber as mais recentes medidas tomadas com relação à água, encontrei uma entrevista do "NBR Entrevista" com o especialista em recursos hídricos da ANA, Marco Neves falando sobre a necessidade de criação de políticas públicas para tratamento dos recursos hídricos em cada região, diante da distribuição heterogênea no país.Veja:

E, também, um vídeo do Governo de Minas Gerais mostrando que o governador assinou uma cooperação entre Estados para a revitalização da Bacia do Rio Doce.

Talvez ainda seja insuficiente e muito "no papel", mas algumas medidas vêm sendo tomadas pelos órgãos responsáveis. Faça a sua parte!




















quinta-feira, 11 de julho de 2013

OPINIÃO

O que queremos?
Hoje é o Dia Nacional de Lutas (atos convocados pelas centrais sindicais) promovido pelos sindicatos e, por isso, várias manifestações estão ocorrendo no país todo.
Somos brasileiros cansados de pagar impostos e, na hora de usufruir de nossos benefícios, ainda ter que reclamar pela ausência ou pela má qualidade dos serviços prestados.
Tudo começou com as manifestações contra o aumento de R$ 0,20 das passagens de ônibus no Rio de Janeiro e em São Paulo, uma continuação do "Passe Livre" que já reivindicava contra esses aumentos abusivos e milionários, quando considerado o montante de lucro milionário x o aperto do bolso do trabalhador que investe em capacitação para si mesmo e seus familiares. Ele precisa se deslocar pois tem o direito de "ir e vir".
Daí, o o bordão "VEM PRA RUA" ganhou corpo partindo das revoltas contra os gastos com estádios e com recepção a turistas em um país que precisa de muitos outros ajustes em outras questões mais relevantes. A campanha publicitária em foco chamava os brasileiros à rua para curtir a Copa do Mundo de 2014 e ela foi usada para convocar a população a exigir pelo "padrão FIFA" não só nos estádios mas também nas escolas, ruas, casas, etc.
Foram se juntando várias forças, e o que ficou evidente depois de tantos dias de manifestações por todo o Brasil e também pela repercussão pelo mundo é antigo mas correto: "A união faz a força!" Vários grupos diferentes de pessoas, diferentes reinvndicações, gerações diferenciadas, todos unidos pela nacionalidade que vejo ser representada pela imagem de um trabalhador cansado que chega ao limite no final do expediente e vai para casa repousar. Cheio de incompreensões e sem ver garantidos seus direitos, mesmo tendo sido descontados, em forma de impostos, sua energia criativa, sua força, seu potencial e seu tempo diários, o "GIGANTE ACORDOU".
O trabalhador, o estudante, o idoso, o médico, os sindicalistas de várias classes foram para rua sem partido e, o melhor, rejeitando visões partidárias, mostrar sua indignação, cansaço e desejo de mudança.
Apareceram reivindicações de todo tipo nos cartazes: contra o aumento do preço das passagens, contra os impostos, contra preconceitos, contra altos gastos com eventos esportivos, contra leis que o brasileiro não concorda, entre outras questões levantadas.
Quanto ao vandalismo presente, ele sempre será condenável já que é ineficaz e desnecessário mas é natural ao ser humano  em estado de agressividade. Para conter isso, a polícia deve intervir.
Mas o movimento pacífico é lindo e necessário: veio para mudar o que aí está!
Não sabemos ainda tudo o que queremos. Estudos estão sendo feitos. Mas o óbvio é que não pode continuar como está!
E depois de tantas manifestações, os resultados já começam a aparecer: leis contra corrupção foram votadas, incentivo à saúde foi prometido pela presidente e, claro, as passagens - motivo que alavancou o movimento - foram todas mantidas ou reduzidas após os protestos.
É forte a sensação de que tudo vai mudar no país e que o processo vai passar pela Reforma Política depois de tantas vaias aos políticos, em especial, à Dilma Roussef nas solenidades e pronunciamentos.
O que queremos? Já sabemos de nossa força vamos à rua cobrar juntos! E construir o país que merecemos...
O processo se dará a longo prazo. Mas já começou. Reflita! Sonhe junto! Participe!
Reinvindique Povo Brasileiro!





segunda-feira, 24 de junho de 2013

ENTREVISTA

MEDICINA - ENTRE A FICÇÃO E A REALIDADE



 
Quem nunca se inspirou nos seriados?
Principalmente os famosos seriados médicos, como Dr. Kildare”, “Scrubs”, “Grey’s Anatomy”, “House” e “ER (Plantão Médico)”.
Pensei, então, em conversar com alguém que cursa Medicina e pode nos falar um pouco sobre a veracidade dos procedimentos mostrados, do comportamento de estudantes e o funcionamento de hospitais, da questão da saúde pública e da formação de rótulos pela mídia.

Conversei com a acadêmica de Medicina do período Internato da FMIT, Faculdade de Medicina de Itajubá, Mayra Lopes de Almeida Reis.
Segue a entrevista:

Como aluna do curso de Medicina como você vê as séries médicas?
Concordo com Humberto Eco quando o mesmo se refere a um “desenho animado de adultos” uma vez que o roteiro segue um padrão; o final é passível de dedução para um bom observador; e serve como um meio comercial objetivando lucro e raramente a cultura, apesar de atingida por vezes.

As séries retratam a realidade dos hospitais?
Não, porque existe uma publicação de artigo indexado italiano, na qual os autores mostram os absurdos procedimentos que são realizados nas séries. Mas, pode-se dizer que elas se aproximam da realidade quando permitem a transparência da vida particular dos personagens. Pois, os profissionais de saúde são pessoas comuns, apesar de o senso comum, por vezes, ignorar tal fato. Profissionais de saúde também ficam doentes, pagam contas, amam e sofrem, mas tudo isso fica “mascarado” ou delegado a segundo plano mediante a necessidade inerente e imediata de atender o próximo.
Mayra Lopes
Como as séries influenciam o comportamento dos alunos?
Permite a idealização do “salvar”, um sonho que todo egresso do curso já teve em algum momento da vida; faz com que muitos se sintam compreendidos, pois vêem angústias particulares expressas pelos personagens; são um bom entretenimento para aqueles que possuem uma rotina rígida com horários não programáveis.

É intrigante ver nos seriados os médicos tratarem com naturalidade e, até mesmo frieza, questões como morte e serem frios quanto aos pacientes terminais. Isso realmente acontece?
Os seriados retratam a falta de preparo que os profissionais de saúde possuem para lidar com a morte e o morrer. Na Faculdade de Medicina de Itajubá existe a disciplina curricular de Cuidados Paliativos que visa oferecer um conforto e condições dignas aos pacientes terminais, evitando o despreparo visto nas telinhas que, de forma lamentável, ainda impera em parte significativa dos hospitais.

A que você atribui o aumento do número de casos de negligência médica nos atos de esquecer instrumentos no organismo do paciente após a cirurgia, receitar e/ou aplicar medicação errada, desligar aparelhos escolhendo quem deve viver, entre outros?
Atribuo não à má formação como a mídia tenta induzir, mas sem querer justificar, à sobrecarga de trabalho, excesso de atividades e, o que considero mais triste, à “mercantilização” da profissão e a necessidade de alta produtividade. Atualmente é raro encontrar um médico com apenas um vínculo empregatício, se é que ainda existe.

O que você tem a dizer sobre a saúde pública no Brasil?
É um belo modelo quando comparado aos internacionais, possui um embasamento legal estruturado com ideais admiráveis como universalismo, equidade, dentre outros. Mas não conseguiu e não conseguirá ser implantado nas próximas décadas como se deve de forma a propiciar efetividade de práticas significativas para a população em geral.

Você é uma pesquisadora dentro da Medicina. Existe campo para pesquisa? Há investimento financeiro nesta área?
Sempre existe campo, pois o mundo é um lugar a ser explorado. A ciência caminha mesmo quando descobrimos que “algo” não funciona, pois nesse ponto encerram-se as pesquisas nessa área.
Os investimentos existem, mas são insuficientes diante da demanda, pois pesquisa é investir muito em algo que pode não dar certo. E, poucas pessoas estão preparadas para tal, sobrando essa carga para órgãos governamentais que nem sempre fornecem todos recursos necessários.

Mayra Lopes
Em seu blog (Holmes e House) você traça um paralelo entre Holmes e House. Seria possível afirmar que tanto na investigação/solução de um crime quanto na de uma doença as características são as mesmas?
O paralelo é possível pois o médico, assim como o detetive, precisa aplicar o mecanismo lógico dedutivo embasado em muito conhecimento para atingir a conclusão correta: “o diagnóstico”.

O médico se sente um investigador que está acima de todos, no controle da vida a ponto de dizer “elementar meu caro...”?
Quanto à vaidade referida, creio que não se embasa no resultado da terapêutica ou no diagnóstico, mas sim em uma reação infantilizada de profissionais que são extremamente cobrados e mascaram o medo da “inferioridade” na máscara da “superioridade”.

O que você tem a dizer a quem se inspira nos seriados médicos para a escolha da carreira profissional?
House é famoso por pressupor que todos mentem o tempo todo, porém um paciente acolhido que sabe que não vai ser julgado tende a dizer a verdade. Somente assim se estabelece uma boa relação médico-paciente que propicia a cura do paciente e a realização do profissional enquanto ser humano. A Medicina é algo que não pode e não deve ser reduzido a status ou questão financeira, limites existem no mundo, na vida e todos encontraremos esses limites. As perguntas que a pessoa que realizará a escolha profissional deve se fazer é: “O que quero fazer todos os dias?” “Qual a intensidade do meu amor ao próximo?”.
Existe uma passagem em que Madre Teresa pergunta por quanto deve-se dar banho em um doente e ela conclui que por dinheiro nenhum, apenas por amor é que somos capazes de cuidar de alguém.