sábado, 4 de junho de 2016

AUDIOVISUAL

Antecedentes do Documentário 

Esse é o primeiro exercício da disciplina Documentário em TV



O objetivo da atividade era retratar uma temática sem o uso de diálogo.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

TÉCNICA DE ÁUDIO E LOCUÇÃO

Crônica em áudio para o programa Tributo Facom sobre a Bossa Nova.


Ouça:




Gravado no estúdio da Rádio Facom e editado no programa Audacity.





quarta-feira, 1 de junho de 2016

Opinião - Crônica de música



Apenas bons amigos

“A grandeza está em não se saber grande.”

Visualize um grupo de jovens universitários da classe média em rodinhas de violão. Comum né? Agora resgate da memória a cena de amigos na praia fazendo um luau. Natural para quem mora na praia. No litoral é perceptível esse hábito dos moradores de lá. Mas tente imaginar agora estudantes, em turma, numa festa ou num bar. Até aí nada demais...

Isso mesmo. Não foi nada demais e por isso foi tudo. Foi espontâneo, experimental. Aberto ao novo como tudo que é jovial e sem regras. E nem podia ser diferente. Cada um da turma estudava seu instrumento sozinho e até davam aula particular para garantir um dinheiro para as festas de fim de semana. Mas o que eles mais gostavam mesmo era de se reunir para fazer o som na casa dos amigos.

Ainda bem que sempre tem aqueles que abrem as portas para receber a turma. E, foi assim, que Nara Leão se tornou a musa do chamado clube da Bossa Nova. Ela era moderna e reunia, em seu apartamento, de frente para o mar, em Copacabana, aqueles que veio a gravar e a divulgar algum tempo depois.

O estilo de cantar baixinho tão singular nada mais era que uma imposição do único horário possível para os ensaios. O grupo se reunia depois do trabalho, só que depois das 10 da noite a vizinhança nos arranha – céus cariocas reclamava do barulho dos festeiros. Não foi algo pensado muito menos planejado. Foi o que deu para fazer. Mas deu certo, vingou.

Nem por isso era mau feito. Muito pelo contrário. Cada um dominava seu instrumento e criava sua marca, no caso, a batida que identificava cada instrumentista. Quem nunca ouviu a expressão “a batida do João Gilberto”, que se tornou a marca da Bossa Nova?

Até o nome Bossa Nova foi uma inspiração antes de uma das reuniões dos integrantes. Ninguém parou para escolher nem pensou num significado profundo. Mas o grupo de amigos tinha uma característica unânime: eram todos amantes de música que gostavam de se reunir ao som de violões e fazer um som muito bem feito, por prazer. Até porque ninguém queria gravar o som deles no início.

Era tanta instantaneidade, que acordes feitos de improviso se tornaram referência do gênero estudado anos mais tarde. Muitos surgiram por acaso mesmo, no momento das gravações.

Talvez o sucesso de públicos inesperados se dê pela naturalidade até nos temas das músicas que se referem ao cotidiano daqueles estudantes. A praia é a todo momento relembrada, assim como o mar e Ipanema. O maior clássico já diz “Olha que coisa mais linda/ Mais cheia de graça/É ela menina
Que vem e que passa/Num doce balanço/A caminho do mar.

E, também, as paisagens cariocas, típicas de quem tem a praia como caminho e ponto de encontro, são sempre citadas como no trecho “Da janela vê-se o corcovado/ O Redentor que lindo”.

As letras tratavam do cotidiano de forma poética como na letra “Fotografei você na minha rolleiflex, revelou-se a sua enorme ingratidão”. Tudo que era perceptível virava letra: as estações, a natureza, as mulheres e os sentimentos.

Vinícius de Moraes foi o mestre pois suas letras nos transportam para aqueles sentimentos que algumas canções provocam dentro da gente. Lembra dessa? “Ah, insensatez que você fez/ Coração mais sem cuidado/ Fez chorar de dor o seu amor/ Um amor tão delicado”

O símbolo da MPB o banquinho, aquele até hoje utilizado por quem canta na noite, foi uma saída para o desconforto dos músicos que se apresentavam em poltronas de sofás nas boates. Nada de estilo, apenas uma solução para o momento.

A alegria da juventude é perceptível, na esperança e no lúdico, dos sons e das letras, que trazem leveza, humor e positivismo, em composições simples que todos entendem.

Como não se encantar com o primor de Tom Jobim ao piano, a genialidade dos compositores Vinícius de Moraes, Carlinhos Lyra, Ronaldo Bôscoli, Chico Feitosa e tantos outros o tempo todo com seus violões traduzindo o que viam e sentiam em belíssimas canções.

Sem falar das intérpretes como a sempre emocionada Elis Regina, e o charme de Astrud Gilberto cantando em inglês, assim como a desenvoltura de Miúcha e de Nara Leão. Não se pode esquecer de Toquinho sempre perfeito nas apresentações com seu impecável violão.

Deve ser por tudo isso que Silvinha Telles apostou nos garotos, gravou Tom Jobim e tornou a Bossa Nova conhecida abrindo o caminho para outras gravações.

A despretensão em fazer um som junto com os amigos nos momentos de lazer, sempre em reuniões na casa de um deles, no bar ou na praia não faz deles diferentes em nada dos jovens de sempre. A não ser pela cultura. Pelo interesse pela arte da Música, pois eram estudantes de seus instrumentos, exímios artistas, prontos para trocar conhecimento e aprender.

Com técnica e talento esse movimento da juventude universitária tomou o poder e fez história. Sem nem perceber... porque “Isso é Bossa Nova/ isso é muito natural”.


Carla Baldutti Rodrigues