segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

IMPRESSO - PUBLICAÇÃO NO JORNAL TRIBUNA DE MINAS

Publicada em: 11 de abril de 2008 veículo: SECOM
http://www.ufjf.br/secom/2008/04/11/11-04-2008/



Faltam oportunidades iguais

VEÍCULO: TRIBUNA DE MINAS – ARTIGO

Carla Baldutti Rodrigues
Colaboradora

A questão das cotas em universidades federais reflete um problema de desigualdade social que não é culpa da classe média, e sim culpa de um sistema em que não há distribuição igualitária de renda. Tanto nas escolas públicas quanto nas privadas, o negro é minoria. Não será um indício de que temos (toda a sociedade unida) que incluí-lo inicialmente na escola? Fico pensando ser muita covardia jogar em cima dos jovens de classe média (vestibulandos) a culpa daqueles que escravizaram e exploraram os negros assim como a responsabilidade por amenizar essa questão. O “cursinho” não nos isenta de estudar. Pelo contrário, o volume de matérias é muito maior, o que exige mais dos alunos que, como eu, tiveram uma educação “inferior” em escola pública.

Acho pouco relevante a UFJF manter as cotas para negros, visto que o problema não será resolvido por aí. Quando o negro chega ao ensino médio, ele teve acesso ao mesmo conhecimento que o “branco” que senta ao lado dele. Se lutarmos pela inclusão do negro na escola básica e ele chegar ao ensino médio público ou particular, de forma significativa, talvez haja necessidade de discutir sobre cotas. Até lá, o ideal é as cotas ajudarem a minimizar as desigualdades com 50% de vagas para particular e 50% para pública.

Além disso, Juiz de Fora conta com cursinhos populares visando à inclusão social: o da própria UFJF, o Baobá, o da Prefeitura que atinge várias áreas da cidade, e algumas comunidades oferecem isoladamente. Temos ainda, o Prouni e o financiamento estudantil. Algo muito relevante ao se considerar o elevado número de faculdades particulares nesta cidade. Mas o principal na questão estudantil é estudar. A pessoa como indivíduo tem que lutar pelo que ela quer. Vemos o caso da mulher que sempre foi explorada desde o início dos tempos. Antes da escravidão. A mulher saiu do lar, foi lutar por seu espaço, enfrentou os preconceitos como divorciada, lutou pela liberdade sexual e pelo voto. E hoje é maioria nas faculdades sem ajuda de cotas específica.

E não há o que se dizer sobre raça, já que não há, biologicamente, como nos dividirmos. Somos seres humanos (iguais) e vivemos na mesma sociedade ainda que de formas diferentes… quem não conhece um exemplo de ascensão social de alguém que era muito pobre e lutou? Isso é democracia. As oportunidades estão aí para todos e nada vai ser de graça nem para o mais rico, pois sempre há a concorrência. E isso é individual, portanto, nada utópico. Quando você, negro, lutar pelo que quer com toda sua dificuldade e ascender, seu exemplo inspirará a sua etnia. Não temos dúvidas quanto à capacidade de nenhuma raça, a questão é a falta de oportunidades iguais. Porém, sempre houve desigualdades sociais. Atualmente é melhor porque a democracia permite a ascensão social por mais difícil que seja. Para chegarmos até aqui, muitas pessoas tiveram que travar lutas particulares e em grupos… Boa sorte a todos!

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