Luta
é esporte; MMA é indústria cultural
Desde os primórdios da humanidade, ainda vivendo de modo tribal, os
seres humanos aprenderam por necessidade a se defender e a protegerem
sua prole.
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| Texto Argumentativo: nota 100 |
Daí houve o aprimoramento gradual em técnicas de defesa
e luta que se diferenciaram em modalidades de artes marciais
milenares e suas derivadas, mais atuais.
A base das artes marciais está na formação do indivíduo, que deve
respeitar hierarquia, ter disciplina, dedicação aos treinos,
aprimoramento técnico, corpo ágil e ativo. O foco não são os
combates, tanto que só tem luta nos últimos 15 minutos de aula.
Todos os treinos têm proteção e, até competir, o atleta forma o
corpo e o “caráter” por anos. É raro ver atletas machucados
pois quem aprende a atacar, aprende também a se defender. As lições
são também de ética, convívio e respeito ao adversário.
Então, como explicar dopping, mortes em competições, agressividade
exagerada? Isso não faz parte de nenhum treino. Isso é incitado por
um mercado de lutas, o MMA, que vende produtos, promove atletas, e
oferece a eles a oportunidade de viverem disso em locais onde não há
incentivo aos esportes para estes profissionais.
Para esses eventos venderem mais e movimentarem bolsas de valores, e
publicidade internacional, tornou-se necessário instigar a
competição e o público pela agressividade, rivalidade e até por
modalidade praticada. Mas não é raro ver os lutadores serem
parceiros fora das competições.
Para a publicidade de luta emplacar, a aparência de rivalidade e de
agressividade impera. Mas, como em todo negócio, não passa de
representação que financia esse mercado.
Os atletas que se sujeitam a participar desses eventos são atores
pressionados pela indústria cultural em busca de reconhecimento e
trabalhar profissionalmente com arte marcial.
Mas não são todos. As artes marciais separadas não treinam para o
MMA. Elas têm seus próprios campeonatos baseados em pontuação em
que os atletas usam proteção e vencem pela técnica. Vencer uma
luta não é ferir ou matar. É saber usar o corpo, o ponto do
adversário que erra e o melhor modo de vencer. O golpe não é a
finalidade, a pontuação por saber usar bem a técnica, sim. Ele
representa o que o atleta sabe, assim como a prova avalia o aluno
quanto ao que ele aprendeu.
Portanto, os princípios das artes marciais não são os mesmos dos
grandes eventos de luta. Mas, estes precisam de lutadores, sem
incentivo e/ou patrocínio, que se sujeitem às regras deles para se
sustentarem como lutadores. Isso gera mortes, exageros, rivalidades.
Contudo, apesar de todo excesso industrial, nada é capaz de
modificar a importância da luta como esporte formador de atletas.
Texto criado na Disciplina de Jornalismo Esportivo em 31/03/2015 com nota 100.
Assista também A luta do século e JF FIGTH.

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