A tolerância revela o mais alto grau de humanidade
Nada há
de mais intenso do que conviver. Essa é talvez, a principal meta e o
maior desafio da humanidade. Infelizmente não nos diplomamos nessa
matéria. Ao contrário, caminhamos a passos bem lentos. Estamos
engatinhando.
Não
raro essas situações ocorrem. É só estar atento para perceber que
não adianta falar em religião, colocar postagens lindas em redes
sociais, mas na hora de respeitar o outro ser humano, falhar feio na
prática.
Me
chamou atenção tudo isso depois de ler num folheto de igreja, da
qual eu não participo, que 2016 é o ano da misericórdia. Pensei
logo, como é bom alguém para lembrar da necessidade de manifestar
essa virtude. Pois em cada uma das situações presenciadas acima, só
vi nervosismo, impaciência, intolerância e até violência nas
palavras.
Quem se
atrasa devia ter saído mais cedo, quem está cansado e estressado é
que deve cultivar a paciência. O mundo não vai ficar mais calmo nem
vai se adaptar a nós. Não adianta descontar em um semelhante uma
questão pessoal.
É
utópico e arrogante querer que tudo seja como se deseja.
Interessante seria buscar soluções. Mas nesses casos ouvi mesmo
muita reclamação. Poucos se mostraram solícitos, buscaram
informações ou foram ajudar, raros foram aqueles que tentaram compreender as razões de quem também tinha horário, questões e
suas necessidades individuais.
Ainda
que funcionários, as pessoas não são escravas, servas nem
empregados particulares de ninguém Todos tem suas motivações,
interesses, deveres, e direitos. Em cada situação existem
alternativas de ação: ajudar, atrapalhar, reclamar, oferecer soluções, buscar informações, ficar apático ou indiferente, sair
do local, xingar, entre tantas outras.
Porém,
cada reação revela mais sobre quem a pratica do que sobre os
eventos externos ou os imprevistos que nunca deixarão de surpreender
mesmo os mais organizados. Outra linha religiosa oriental, que prega
a não ilusão, sugere que nesses casos o indivíduo se questione
sobre aquilo que ele pode fazer no momento. Sempre existe algo
possível, naquele instante, nas condições presentes. Fazer o
melhor, o exequível, revela a possibilidade real do ser.
Portanto,
como se portar em cada situação é uma escolha. Vale investir nessa
re-ação e escolher o melhor, para o bem de todos, pois como disse
muito bem o poeta Mário Quintana, “A arte de viver é simplesmente
a arte de conviver... simplesmente, disse eu? Mas como é difícil!”.
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