terça-feira, 26 de janeiro de 2016

OPINIÃO

A tolerância revela o mais alto grau de humanidade

Nada há de mais intenso do que conviver. Essa é talvez, a principal meta e o maior desafio da humanidade. Infelizmente não nos diplomamos nessa matéria. Ao contrário, caminhamos a passos bem lentos. Estamos engatinhando.

Durante toda a semana me deparei com inúmeras situações que trouxeram divagações: uma criança chorando no colo da mãe no ônibus lotado; um trocador de ônibus que tinha necessidade de usar um banheiro; uma caixa de supermercado que errou; uma motorista que dirigia corretamente e teve que ensinar ao antigo profissional que em duas pistas ela podia sim passar, mas é claro que a capacidade dela é que foi questionada.

Não raro essas situações ocorrem. É só estar atento para perceber que não adianta falar em religião, colocar postagens lindas em redes sociais, mas na hora de respeitar o outro ser humano, falhar feio na prática.

Me chamou atenção tudo isso depois de ler num folheto de igreja, da qual eu não participo, que 2016 é o ano da misericórdia. Pensei logo, como é bom alguém para lembrar da necessidade de manifestar essa virtude. Pois em cada uma das situações presenciadas acima, só vi nervosismo, impaciência, intolerância e até violência nas palavras.

Quem se atrasa devia ter saído mais cedo, quem está cansado e estressado é que deve cultivar a paciência. O mundo não vai ficar mais calmo nem vai se adaptar a nós. Não adianta descontar em um semelhante uma questão pessoal.

É utópico e arrogante querer que tudo seja como se deseja. Interessante seria buscar soluções. Mas nesses casos ouvi mesmo muita reclamação. Poucos se mostraram solícitos, buscaram informações ou foram ajudar, raros foram aqueles que tentaram compreender as razões de quem também tinha horário, questões e suas necessidades individuais.

Ainda que funcionários, as pessoas não são escravas, servas nem empregados particulares de ninguém Todos tem suas motivações, interesses, deveres, e direitos. Em cada situação existem alternativas de ação: ajudar, atrapalhar, reclamar, oferecer soluções, buscar informações, ficar apático ou indiferente, sair do local, xingar, entre tantas outras.

Porém, cada reação revela mais sobre quem a pratica do que sobre os eventos externos ou os imprevistos que nunca deixarão de surpreender mesmo os mais organizados. Outra linha religiosa oriental, que prega a não ilusão, sugere que nesses casos o indivíduo se questione sobre aquilo que ele pode fazer no momento. Sempre existe algo possível, naquele instante, nas condições presentes. Fazer o melhor, o exequível, revela a possibilidade real do ser.

Portanto, como se portar em cada situação é uma escolha. Vale investir nessa re-ação e escolher o melhor, para o bem de todos, pois como disse muito bem o poeta Mário Quintana, “A arte de viver é simplesmente a arte de conviver... simplesmente, disse eu? Mas como é difícil!”.   

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